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4a parte • Na casa de Marcellus
Marcellus acordou cedo e ligou para Valéria. Ela estava calma e embora já fosse um pouco tarde para noivos se levantarem, ele a havia acordado.
Falaram bem pouco no telefone, pois Valéria precisava se levantar para se dirigir a uma série de compromissos. Coisas de mulher.
Marcellus então, sem ter nada para fazer, passou a divagar a respeito da sua união com Valéria. Estava confuso, sabia que gostava muito dela, mas o que lhe preocupava era o caracter político no qual havia se transformado a união entre os dois.
Todas as Tradições selariam um acordo de cooperação durante a festa de seu casamento e ele, junto com sua futura esposa representariam a Order of Hermes. Ele não sabia ao certo se seria uma boa idéia todos aqueles homens e mulheres com todas as suas rivalidades, durante a festa do seu casamento. Mas Marcellus não tinha nenhuma outra escolha, pois o futuro da casa Hermética dependia do seu sacrifício pessoal e da sua dedicação.
Deixando estes pensamentos de lado, ele se pôs a andar até a biblioteca. Rumo ao seu destino, contemplava as paredes da enorme casa que seu pai construíra.
Marcellus lembrou-se que estava em jejum a mais de quatro dias e que se não desejasse cair desmaiado durante a cerimônia de casamento, era melhor providenciar seu desjejum. Porém embora o bom senso tenha lhe alertado disso, a fome não lhe tentava agora, decidiu adiar a refeição e ler um pouco, pois isso sempre lhe acalmava. Então ele sentou-se na mesa de estudos.
Após o terceiro parágrafo de leitura escutou alguém lhe chamar na porta da biblioteca.
- Marcellus - Era seu irmão, Gaius.
Gaius olhava para Marcellus de uma maneira inquisidora, aparentava cansado como quem ficou toda a noite sem dormir.
- Prometeu que me diria tudo hoje. Diga-me então, Marcellus, o que acontece com nosso pai? Começou Gaius em um tom de voz que só ele teria a ousadia de se dirigir ao mais poderoso Order of Hermes da América do Sul.
- Precisava ser tão cedo irmão? - disse Marcellus como se ignorasse o nervosismo de Gaius e fingisse uma falsa preguiça.
- Passei por todos os círculos de mistério, provei ser digno e você me disse que se eu merecesse me contaria a verdade no dia de seu casamento. Agora fale!
Marcellus fechou o livro e ficou brincado de uma maneira infantil com uma caneta que estava em cima da mesa. Gaius foi até a porta da biblioteca e a fechou como se dissesse "ninguém ouvirá o que me disser, irmão". Depois virou para Marcellus esperando a resposta da sua pergunta.
- Gaius - Marcellus parecia estar tomando cuidado com as palavras - Se você acha que esta preparado para o que vou lhe dizer eu digo. Mas antes me fale. Por que quer tanto saber?
- Não se importe com isso, apenas fale.
- Então por que deseja tanto saber? - retrucou Marcellus.
- Marcellus, honre sua palavra eu juro que se não me responder eu...
Marcellus ergueu-se irado e respondeu com o grito mais alto que seus pulmões puderam gerar:
- Meu irmão ou não, jamais deixarei que alguém me ameace em minha própria casa!
Gaius respondeu com a mesma fúria .
- Então deixarei sua casa logo após ter cumprido sua palavra de Hermético. Fale!
Os gritos podiam ser ouvidos por toda grande mansão de Marcellus quando ele respondeu de volta a Gaius:
- Eu quero lhe poupar seu tolo.
- Mas eu nunca lhe pedi isso o que lhe peço é justamente o contrário.
- Se quer ouvir a verdade, Matheus Doliran, nosso pai, foi morto por Nephandus e sua alma queimou em seus labiritos por semanas. Eu ví tudo Gaius...e não pude fazer nada.
O silêncio inundou a sala. Marcellus sabia que estava sendo cruel com Gaius, mas fora cruel também consigo mesmo, pois os olhos de ambos só não transbordavam em lágrimas porque era mais intenso o estranho sentimento de querer se mostrar forte não importando o que aconteça.
- Gaius... - disse Marcellus baixinho e com voz de choro.
- Não chegue perto de mim. Marcellus, você não tinha o direito de me esconder algo tão grave. Nós dois deveriamos ter vingado nosso pai. Mas além de não fazer nada, me privou desse direito também. Não romperei meus votos com a Tradição, mas Marcellus, afaste-se de mim. Não me procure nunca mais.
Gaius foi embora por causa do ódio que sentia de Marcellus naquele momento, mas principalmente foi embora para não cair em lágrimas na frente de seu irmão mais velho.
E quem entrasse aquela hora na biblioteca da casa do poderoso Order of Hermes Marcellus Doliran, poderia vê-lo sentado no chão de cabeça baixa chorando e dizendo:
- Eu não tive culpa...eu não podia fazer nada pai... eu era uma criança.